
Descalça, coque no cabelo, a roupa que me servisse no dia.
Querida Leitora, eu andei assim por 3 anos. Estava sendo tão raro eu me cuidar que o dia que eu resolvia pensar em uma combinação antes de me vestir todo mundo notava e às vezes até estranhava.
Eu passei ao menos 3 anos nessa condição, meu gatilho pode ter sido a pandemia ou pode ser que a pandemia só tenha agravado. O fato é que mais ou menos no meio da Pandemia no ano de 2021, eu comecei a reviver de forma mais intensa alguns sintomas que iam e vinham desde a minha infância, descobri pouco tempo depois que os sintomas eram de depressão e ansiedade, que a propósito já estavam superamigos, o que mudava dessa vez é que estavam em um nível alarmante.
Nesse ponto, eu já tinha deixado de me cuidar, afinal além de não estar bem, não estava saindo de casa. Aqui eu ainda não sabia, mas o simples fato de ter deixado de lado a minha rotina da manhã onde eu penteava o cabelo, tomava um banho, escolhia uma roupa “combinandinha”, só piorou o que já não estava bom.
Adoro essa palavra: combinandinha, quem fala ela é a vovó Juju do desenho Irmão do Jorel, se você não conhece, está perdendo a vovó mais fofinha de todas

Como nos vestimos e cuidamos de nós mesmos têm um impacto direto na nossa autoestima.
É como se o espelho fosse um reflexo não só da nossa aparência física, mas também da nossa percepção de valor.
Isso acontece porque quando nos vestimos de forma que nos sentimos bem, nosso cérebro libera dopamina, um neurotransmissor associado à sensação de prazer e recompensa e essa sensação positiva fortalece nossa autoestima. Ao cuidar da nossa aparência, demonstramos para nós mesmos que somos capazes de cuidar de nós e de nossas vidas e isso aumenta nossa sensação de autoeficácia e confiança. Como nos vestimos, transmite uma mensagem sobre nós mesmos para os outros e para nós mesmos e ao nos apresentar de forma cuidadosa, sentimos que somos levados a sério e isso impacta diretamente na nossa autoestima.
Isso é um pouco do que diz tanto a neurociência quanto a psicologia da moda. O cérebro processa informações visuais relacionadas à aparência e isso afeta nossas emoções e comportamentos, por isso a escolha das roupas pode influenciar o humor, a autoestima e até mesmo o desempenho em tarefas. Isso nos mostra que a imagem pessoal é mais do que apenas estética, ela é um reflexo da nossa autoestima e bem-estar.
Ao cuidar da nossa aparência, estamos investindo em nós mesmos e construindo uma identidade mais forte e positiva.

A autoestima da mãe é como um espelho que reflete no desenvolvimento emocional dos filhos. Quando essa imagem é distorcida pela insegurança, as consequências podem ser significativas.
Bom, nem preciso dizer que isso causou danos sim à minha família, e quando falamos em família sabemos que se há filhos eles são os mais prejudicados.
Uma das consequências, que eu enfrentei inclusive, foi a dificuldade de estabelecer limites. Dificuldades em definir limites claros e consistentes para os filhos, geram incerteza e isso transmite insegurança para a criança, que pode se sentir perdida e sem direção. A insegurança pode levar a comportamentos extremos, como permissividade excessiva ou rigidez exagerada, prejudicando o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade da criança.
No meu caso eu não tive essa dificuldade apenas com meus filhos, mas também com pessoas de fora que frequentavam minha casa, e nesse caso acredite, o dano pode ser ainda maior. Eu acreditei por um curto período que eu talvez fosse bipolar, mas meu psiquiatra disse que esse não era o meu caso.
Outra consequência é a comunicação prejudicada. Mães com baixa autoestima podem ter dificuldade em expressar seus próprios sentimentos e emoções, o que dificulta a comunicação aberta e sincera com os filhos. A falta de autoestima pode levar a mãe a se fechar para as necessidades e sentimentos dos filhos, prejudicando o vínculo e a confiança, e a insegurança pode gerar mensagens contraditórias, como elogios acompanhados de críticas, confundindo a criança e minando também sua autoestima.
Essa parte eu sempre vigiei, a respeito das crianças eu sempre estive atenta, mas não posso negar que o que eu estava sentindo eu não dizia, e quando resolvi me abrir sobre isso não consegui expressar exatamente o que eu sentia. Acho que até hoje eu não consegui expressar tudo.
Uma última consequência que quero citar é a da tensão no ambiente familiar. A baixa autoestima da mãe pode gerar um ambiente familiar tenso, marcado pela ansiedade e pelo estresse. As crianças são altamente sensíveis a essas emoções e podem internalizá-las, desenvolvendo dificuldades emocionais. Mães com baixa autoestima podem ter dificuldade em lidar com conflitos de forma construtiva, o que pode levar a discussões frequentes e um clima familiar negativo. As crianças precisam de um ambiente seguro e acolhedor para se desenvolverem emocionalmente e a falta de apoio emocional da mãe pode prejudicar esse desenvolvimento.
Eu não brigo com meus filhos a menos que a arte seja bem grave, mas em alguns momentos eu criei, sim, tempestades em copos de água, isso fazia com que meus filhos tentassem esconder as bagunças. Hoje isso já está resolvido, eles não gostam, ninguém gosta, na verdade, mas admitir um erro já é um hábito comum. Sempre considerei esse e o habito de perdoar um erro de alguém grandes sinais de força, então por mais difícil que seja é um hábito que tento manter e ensinar às crianças, mas não só isso, ensino que as consequências de erros sempre são ruins e que também tem que ser vividas, não da para escapar. Só quero esclarecer aqui que o perdão não vem com um pacote de amnésia incluído e que em algumas vezes a situação é perdoar e afastar.
A baixa autoestima da mãe pode criar um ciclo vicioso de insegurança e dificuldades emocionais, tanto para ela quanto para seus filhos. É fundamental que as mães busquem apoio e trabalhem nisso.
Os Benefícios que só tem uma Mãe com Alta Autoestima
Uma mãe com alta autoestima é um modelo inspirador para seus filhos. Ela transmite confiança e segurança, mostrando que é possível superar desafios e alcançar seus objetivos. Essa atitude positiva tem um impacto profundo no desenvolvimento de:
- Autoconfiança: Crianças de mães confiantes tendem a desenvolver uma autoestima mais elevada e a acreditar mais em suas próprias capacidades.
- Relações saudáveis: mães com alta autoestima estabelecem relações mais saudáveis e próximas com seus filhos, baseadas em confiança e respeito mútuo.
- Resiliência: Crianças criadas por mães resilientes aprendem a lidar com as adversidades de forma mais positiva e a buscar soluções para os problemas.
- Desenvolvimento emocional: Um ambiente familiar positivo, onde a mãe se sente bem consigo mesma, proporciona um espaço seguro para o desenvolvimento emocional das crianças.
Cuidar de si mesma não é egoísmo, e sim um ato de amor-próprio que beneficia toda a família.
Aqui vão algumas dicas simples podem fazer uma grande diferença:
- Reserve um tempo diário para atividades que te tragam prazer, como ler um livro, tomar um banho relaxante ou praticar um passatempo.
- Renovar o guarda-roupa e experimentar novos estilos pode te fazer se sentir mais bonita e confiante.
- Escolha roupas que valorizem seu corpo e te deixem confortável.
- Compartilhe suas experiências com outras mães e busque apoio em grupos de mães ou em terapia. Minha experiência com a terapia tem sido super positiva, eu nem penso que ter alta seria um benefício, já avisei minha psicóloga que ficarei lá para sempre, ela vai ter que me aguentar.
- Não se sinta culpada por cuidar de si mesma. NUNCA. Lembre-se que uma mãe feliz é uma mãe mais presente e atenciosa. Cuidar da imagem pessoal não é superficial ou egoísta. Na verdade, cuidar de si mesma é fundamental para o bem-estar emocional e físico, o que, por sua vez, beneficia toda a família.
Invista em você! Pratique as dicas apresentadas neste artigo, isso já é suficiente para começar a transformar sua vida e a de seus filhos. Lembre-se, você merece ser feliz, suas crianças merecem uma mãe realizada e você merece filhos realizados.
Por hoje é só. Espero que minhas experiências ajudem você. Até breve!